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No Halma Guerreira |
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Modo de amar – Vl
"Inclina os ombros
e deixa
que as minhas mãos avancem
na branda madeira
Na densa madeixa do teu ventre
Deixa
que te entreabra as pernas
docemente
Modo de amar – VII
Secreto o nó na curva
do meu espasmo
E o cume mais claro
dos joelhos
que desdobrados jorram dos espelhos
ou dos teus ombros os meus:
flancos
na luz de maio
Modo de amar – VIII
Que macias as pernas
na penumbra
e as ancas
subidas
nos dedos que as desviam
Entreabro devagar
a fenda – o fundo
a febre
dos meus lábios
e a tua língua
Vagarosa:
toma – morde
lambe
essa humidade esguia"
Maria Teresa Horta


Modos de amar V
“Docemente amor
ainda docemente
o tacto é pouco
e curvo sob os lábios
e se um anel no corpo
é saliente
digamos que é da pedra
em que se rasga
Opala enorme
e morna
tão fremente
dália suposta
sob o calor da carne
lábios cedidos
de pétalas dormentes
Louca ametista
com odores de tarde
Avidamente amor
com desespero e calma
as mãos subindo
pela cintura dada
aos dedos puros
numa aridez de praia
que a curvam loucos até ao chão da sala
Ferozmente amor
com torpidez e raiva
as ancas descendo como cabras
tão estreitas e duras
que desarmam
a tepidez das minhas
que se abrem
E logo os ombros
descaem
e os cabelos
desfalecem as coxas que retomam
das tuas
o pecado
e o vencê-lo
em cada movimento em que se domam
Suavemente amor
agora velozmente
os rins suspensos
os pulsos
e as espáduas
o ventre ereto
enquanto vai crescendo
planta viva entre as minhas nádegas”
Maria Tereza Horta


Modo de amar – III
“É bom nadar assim em cima do teu corpo enquanto
tu mergulhas já dentro do meu Ambos piscinas que a nado atravessamos
de costas tu meu amor de bruços eu
Modo de amar – IV
Encostada de costas ao teu peito em leque
as pernas abertas o ventre inclinado ambos de pé
formando lentos gestos as sombras brandas tombadas no soalho”
Maria Tereza Horta


Modo de amar – I
”Lambe-me as seios
desmancha-me a loucura
usa-me as coxas
devasta-me o umbigo
abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros
e lentamente faz o que te digo:
Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
a nuca a descoberto,
o corpo em movimento...
a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo...
Por-me-ás de borco;
Digo:
ajoelhada...
as pernas longas
firmadas no lençol...
e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome...
(Por-me-ás de borco,
assim inclinada...
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)”
Maria Tereza Horta


"Em teu mar
quero navegar
em cada onda
loucamente me afogar
em teu porto
o meu navio atracar
a tua água
em minha boca derramar
os teus segredos
os meus olhos desvendar
minhas pernas
os teus montes atravessar
em tuas ilhas
me perder ao desbravar
em teus abismos
o meu corpo afundar
a minha língua
do teu sal
gulosamente provar
os meus seios
a tua boca
deliciosamente sugar
o teu peixe
a minha gruta
vorazmente penetrar
em tua praia
o meu barco acostar
logo após
por teu corpo
navegar."
Eliane Menezes


"Tão lascivo e intenso
é esse momento,
em que invades meu corpo
com toques de dedos, música, bicos túrgidos.
E vens, e tomas e bebes
enlaças minhas coxas,e fendes, e dás, e me tiras
E, antes que desfaleça
em morte, luxúria.
desço entre as tuas pernas;
Desejo de ter-te,
de gozar um prazer, úmido,
que nada se lhe iguala.
Abraço, movimento
tuas ancas em mim,
abro minha boca,
a minha língua procura-te:
Com vontade, pressa,
emergência do querer
sentir-te crescer, provar
o sabor,
de ser preenchida por ti!”
Margarida B. Lopez


"Não tardes esta noite meu amor!
Que a ânsia de ter-te me queima
e nem o frescor dos lençóis
me acalma...
Ah! São delírios na pele o que sinto
Quando penso no teu corpo sobre o meu
E em movimentos lentos,
Sinto os pensamentos meus
Serem teus...
Prisioneira que sou dos teus braços
Ah! Quando eterna
Quando eterna sou por ti possuída
Ah! Esta noite
Esta noite
Não tardes meu amor!"
Gabriela Moura


“Me percorre a alma
através de tuas mãos
bem devagar...
Me penetra com o teu sentimento
e me faz gozar
apenas com o teu olhar...”
Ângela Lara


"O encontro aconteceu
O gosto do desejo explodiu
O esperado momento
Na paixão se rendeu.
Amantes se buscando
Amor, tesão e loucura,
Na porta do quarto
O amor se abrindo.
Roupas arrancadas
Tensão e anseios
Bocas se beijando
Línguas se buscando
Corações a mil.
Uma fusão de corpos
Se atraindo
Se acoplando
Se ajustando.
O jogo do amor desesperado
Tão esperado
Na busca do prazer intenso.
A batalha amorosa
Na volúpia escandalosa
Uma disputa de prazer.
O corpo cheirando a sexo
Impregnado de sensualidade
O sangue fervendo,
Mãos em toques sensuais
Línguas pelos corpos
O amor nos rituais.
A loucura não espera
O tempo certo para amar
Ama na porta, no chão,
Só os loucos amam assim!
E os amantes ocasionais."


"Há um fogo intenso queimando
Dentro de mim.
Acordo e sonho com você.
Este fogo, ah ! este fogo !
Me acende todas as entranhas. . .
dentro de mim. . . fora de mim.
E fora de mim, fico.
Penso em você em todas as horas. . .
penso nas horas em que meus ouvidos
gravaram a tua voz no meu coração. . .
. . . no meu corpo . . . na minha alma.
Ah essa voz que penetrou em mim!
E que me faz sentir essa imagem
viva, de intenso gozo, no meu corpo. . .
Um gozo que permanece no decorrer
Das horas, dos dias. . . definitivo.
Ah esse gozo !"
Yonne Santiago


"Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia"
Liz Christine


“Se acaso me quiseresSou dessas mulheresQue só dizem simPor uma coisa à toaUma noitada boaUm cinema, um botequimE, se tiveres rendaAceito uma prendaQualquer coisa assimComo uma pedra falsaUm sonho de valsaOu um corte de cetimE eu te farei as vontadesDirei meias verdadesSempre à meia luzE te farei, vaidoso, suporQue é o maior e que me possuisMas na manhã seguinteNão conta até vinteTe afasta de mimPois já não vales nadaÉs página viradaDescartada do meu folhetim”Chico Buarque 

"Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.
Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.
Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.
A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.
De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.
Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.
A boca sobre a boca nevava.”
Eugénio de Andrade


"Tu sempre foste una
e sempre foste minha,
ainda quando a cor e a forma tua se fundiam
com outra forma e cor que tu não tinhas.
Por isto é que te falo de umas coisas
que não lembras
nem nunca lembrarias
de tais coisas entre mim e ti
ainda quando tu não me sabias
e dividida em outras te mostravas
e assim dispersa me ouvias.
Tu sempre foste uma
ainda quando o corpo teu
com outro corpo a sós se punha,
pois o que me tinhas a dar
a outro nunca o deste
e nunca o doarias.
Por isto é que te sinto
com tanta intimidade
e te possuo com tanta singeleza
desde quando recém vinda
ostentavas nos teus olhos grande espanto
de quem não compreendia
a antiguidade desse amor que em mim fluía."
Affonso Romano Sant'Anna


"Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre.
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
-Por teu mal-
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreio,
Vá com jeito
Teu dedo em sua grana,
E a membrana
Só rompa, do hímem teu,
O himeneu."
Gautier
